quinta-feira, 16 de maio de 2013

As dificuldades dos habitantes do semi-árido Nordestino



O semi-árido brasileiro é o mais chuvoso do planeta (Malvezzi, 2007), é uma região ainda hoje incompreendida, mas atualmente ações de ONGs e movimentos de pequenos agricultores, associados a tecnologias ajudam a criar uma nova cultura de convivência com essa região. No Nordeste essas ações são muito importantes para que ocorram mudanças positivas, pois confrontam velhas oligarquias, a indústria da seca e as novas oligarquias, todas baseadas no agronegócio e no controle da água.
Atualmente existem grades obras de armazenamento de água, na região semi-árida, porém a grande maioria delas estão contidas em propriedades privadas ou em mananciais que não tem adutoras, assim não é possível transportar essa água para as regiões em que há pessoas necessitando desse bem natural. Uma obra de infraestrutura que ultimamente tem causado expectativas, decepções e discussões entre políticos, ambientalistas e as populações, ribeirinhas ou não, é a transposição do Rio São Francisco (cujo aproveitamento atualmente é disputado entre a produção de energia e a irrigação). Quem vive nas regiões mais secas quer ter direito a essa água, ambientalistas e ribeirinhos dizem que o rio está morrendo e por incompetência politica a obra está parada, mostrando o mau uso do dinheiro público e o desrespeito com a população. Ainda que essa obra venha e se realizar por completa é óbvio que será administrada segundo as regras do mercado, poderá usufruir apenas quem puder pagar.
Malvezzi afirma que há água suficiente para suprir as necessidades das populações, principalmente com a quantidade impressionante de poços e açudes que foram construídos ao longo dos séculos, segundo o Dnocs (Departamento nacional de obras contra as secas) são 70 mil, mas devido à má distribuição essa água ainda não foi democratizada. A água está mal distribuída, é verdade, mas as terras também estão mal distribuídas, porém esse assunto é evitado por parte da população devido a um modo antigo de se fazer política e ainda vigente, o coronelismo, apesar de enfraquecido. Programas sociais do governo contribuíram para esse enfraquecimento do coronelismo, apesar de muitos acreditarem que essa é outra forma de controle da população, ou seja, o coronelismo apenas teria adquirido outra forma.
O processo de urbanização do semi-árido
O crescimento de pequenas e médias cidades provocado pela dissolução da associação da produção de milho, feijão e algodão, e benefícios concedidos aos habitantes do campo, pela previdência social, contribuíram para o aumento das populações dessas cidades, onde muitas vezes as pessoas vivem sem uma infraestrutura adequada e sem serviços coletivos.
A população nordestina vem se deslocando cada vez mais para a zona urbana, motivada principalmente pela falta de oportunidades de emprego.
O censo de 2000 indicava que 81,2% da população brasileira viviam nas grandes cidades, isso correspondia a 137,7 milhões de brasileiros, porém segundo alguns demógrafos e economistas, há omissão de informações. Veiga diz que nessa época pouco mais da metade população brasileira pertencia de fato à rede urbana. A causa dessa omissão deve-se ao conceito de domicilio urbano. Segundo o censo 2000 é considerada área urbana as correspondentes às sedes municipais ou às sedes distritais (das vilas).
O que acontece é que as pessoas que residem em domicílios urbanos situados em municípios pobres não tem acesso às mesmas coisas que as pessoas que vivem nos grandes centros, os privilégios tipicamente urbanos.
A situação da população nordestina é diferente de décadas atrás, as condições das pessoas que migraram para as cidades estão melhores com relação ao acesso á informação, empregos e serviços básicos, mas a desigualdade social continua muito acentuada. Tendo em vista os problemas sociais e econômicos enfrentado pelos que vivem nessa região, o semi-árido Nordestino precisa de mais destaque.

Referências:
Malvezzi, Roberto. Semi-árido - uma visão holística. – Brasília: Confea, 2007. 140p. – (Pensar Brasil)


Carvalho, Otamar de; Egler, Cláudio Antônio Gonçalves. Alternativas para o desenvolvimento do Nordeste semi-árido: relatório final. – Fortaleza: Ministério da Fazenda, Banco do Nordeste do Brasil, 2003. 204p.