O
semi-árido brasileiro é o mais chuvoso do planeta (Malvezzi, 2007), é uma
região ainda hoje incompreendida, mas atualmente ações de ONGs e movimentos de
pequenos agricultores, associados a tecnologias ajudam a criar uma nova cultura
de convivência com essa região. No Nordeste essas ações são muito importantes
para que ocorram mudanças positivas, pois confrontam velhas oligarquias, a
indústria da seca e as novas oligarquias, todas baseadas no agronegócio e no
controle da água.
Atualmente
existem grades obras de armazenamento de água, na região semi-árida, porém a
grande maioria delas estão contidas em propriedades privadas ou em mananciais
que não tem adutoras, assim não é possível transportar essa água para as
regiões em que há pessoas necessitando desse bem natural. Uma obra de
infraestrutura que ultimamente tem causado expectativas, decepções e discussões
entre políticos, ambientalistas e as populações, ribeirinhas ou não, é a
transposição do Rio São Francisco (cujo aproveitamento atualmente é disputado
entre a produção de energia e a irrigação). Quem vive nas regiões mais secas
quer ter direito a essa água, ambientalistas e ribeirinhos dizem que o rio está
morrendo e por incompetência politica a obra está parada, mostrando o mau uso
do dinheiro público e o desrespeito com a população. Ainda que essa obra venha
e se realizar por completa é óbvio que será administrada segundo as regras do
mercado, poderá usufruir apenas quem puder pagar.
Malvezzi
afirma que há água suficiente para suprir as necessidades das populações,
principalmente com a quantidade impressionante de poços e açudes que foram
construídos ao longo dos séculos, segundo o Dnocs (Departamento nacional de
obras contra as secas) são 70 mil, mas devido à má distribuição essa água ainda
não foi democratizada. A água está mal distribuída, é verdade, mas as terras
também estão mal distribuídas, porém esse assunto é evitado por parte da
população devido a um modo antigo de se fazer política e ainda vigente, o
coronelismo, apesar de enfraquecido. Programas sociais do governo contribuíram para
esse enfraquecimento do coronelismo, apesar de muitos acreditarem que essa é
outra forma de controle da população, ou seja, o coronelismo apenas teria
adquirido outra forma.
O processo de urbanização do
semi-árido
O
crescimento de pequenas e médias cidades provocado pela dissolução da
associação da produção de milho, feijão e algodão, e benefícios concedidos aos
habitantes do campo, pela previdência social, contribuíram para o aumento das
populações dessas cidades, onde muitas vezes as pessoas vivem sem uma
infraestrutura adequada e sem serviços coletivos.
A
população nordestina vem se deslocando cada vez mais para a zona urbana,
motivada principalmente pela falta de oportunidades de emprego.
O
censo de 2000 indicava que 81,2% da população brasileira viviam nas grandes
cidades, isso correspondia a 137,7 milhões de brasileiros, porém segundo alguns
demógrafos e economistas, há omissão de informações. Veiga diz que nessa época
pouco mais da metade população brasileira pertencia de fato à rede urbana. A
causa dessa omissão deve-se ao conceito de domicilio urbano. Segundo o censo
2000 é considerada área urbana as correspondentes às sedes municipais ou às
sedes distritais (das vilas).
O
que acontece é que as pessoas que residem em domicílios urbanos situados em municípios
pobres não tem acesso às mesmas coisas que as pessoas que vivem nos grandes
centros, os privilégios tipicamente urbanos.
A
situação da população nordestina é diferente de décadas atrás, as condições das
pessoas que migraram para as cidades estão melhores com relação ao acesso á
informação, empregos e serviços básicos, mas a desigualdade social continua
muito acentuada. Tendo em vista os problemas sociais e econômicos enfrentado
pelos que vivem nessa região, o semi-árido Nordestino precisa de mais destaque.
Referências:
Malvezzi, Roberto. Semi-árido - uma visão holística. – Brasília:
Confea, 2007. 140p. – (Pensar Brasil)
Carvalho, Otamar de; Egler, Cláudio Antônio Gonçalves.
Alternativas para o desenvolvimento do Nordeste semi-árido: relatório final. –
Fortaleza: Ministério da Fazenda, Banco do Nordeste do Brasil, 2003. 204p.