Mente colonizada
(Nélson Falcão Rodrigues, jornalista, dramaturgo e escritor)
É interessante como boa parte dos Alagoanos não valorizam Alagoas. Moramos em um estado muito rico, porém com uma população pobre. Qualquer coisa que vem da região sudeste ou do exterior, as pessoas associam a algo com mais qualidade que qualquer coisa produzida aqui. Isso é apenas resultado da colonização. Após o Brasil se libertar de Portugal, e Alagoas se libertar de Pernambuco ainda ficamos com uma mente colonizada.
A inutilidade da TV
aberta brasileira
E o que dizer da invasão de bundas, de genitálias e de danças as mais chulas e lascívias? Claro está que nem só de sexo vive o Homem. Todavia, junto com a banalização dos instintos básicos, vem o desrespeito pela pessoa física, pela personalidade e por aquilo que nos distingue dos outros seres: a humanidade.
Hoje o brasileiro tem sua alma escancarada, suas feridas pessoais expostas e remexidas em praça pública, em cadeia nacional, em horário nobre — sob os olhares impassíveis de adultos, jovens, velhos e crianças de colo.
Assim, o que se tem de mais elevado, nobre e belo perde-se na sede pelo entretenimento bizarro, gratuito e imediato. Os poucos altruístas de intenções louváveis e edificantes vêem-se derrotados pela escolha inclemente da audiência ignorante.
O importante é que a mobilização e a integração da
sociedade civil e do setor público estão em andamento, utilizando-se de uma
mídia relativamente nova como a internet para divulgar suas idéias e propor
debates. Porém, é bom destacar que a internet é ainda muito restrita, ficando a
discussão também pouco acessível. Mas o primeiro passo contra a baixaria e o
abuso do meio televisivo foi dado. Dessa união da sociedade civil com o setor
público têm surgido boas propostas e alguns atos concretos, restando muito a
caminhar em direção a uma TV com mais qualidade de conteúdo, o que passa por
medidas mais ousadas.
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